Para Edson Braga, uma das formas mais profundas de liberdade surge quando decisões deixam de ser guiadas pela necessidade de reconhecimento e passam a refletir consciência, propósito e aquilo que realmente vale a pena construir
Durante uma parte importante da vida, conquistas podem ser impulsionadas por uma necessidade pouco admitida: provar alguma coisa.
Provar capacidade.
Mostrar que determinada pessoa estava errada.
Demonstrar independência.
Chegar mais longe.
Construir patrimônio.
Ocupar espaços antes considerados inacessíveis.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, essa força não é necessariamente negativa. Muitas trajetórias de sucesso começaram justamente a partir de rejeições, dificuldades, comparações e experiências que despertaram uma enorme vontade de vencer.
O problema surge quando aquilo que inicialmente funcionou como combustível começa a comandar decisões que já não deveriam depender daquela necessidade.
Em sua reflexão, Edson destaca que uma motivação capaz de levar alguém muito longe também pode se transformar, com o passar dos anos, em uma prisão.
A maturidade começa quando a pessoa consegue perceber essa mudança.
O que nos colocou em movimento também pode nos aprisionar
Uma rejeição pode produzir determinação.
Uma dificuldade familiar pode despertar desejo de construir uma realidade diferente.
Uma comparação pode gerar disciplina.
Uma experiência de escassez pode incentivar alguém a trabalhar durante anos para alcançar segurança.
Esses impulsos podem produzir resultados importantes.
Mas Edson Braga chama atenção para uma questão:
o que acontece quando a pessoa já conseguiu aquilo que precisava provar, mas continua tomando decisões como se ainda estivesse diante da mesma plateia?
Nesse momento, conquistar deixa de ser apenas uma escolha.
Pode se transformar em obrigação.
É necessário continuar crescendo.
Continuar demonstrando.
Continuar vencendo.
Continuar acumulando.
E aquilo que parecia ambição começa a perder liberdade.
Grandes decisões também podem carregar necessidades emocionais
Edson José Bandeira Braga Filho observa que algumas decisões aparentemente racionais podem possuir raízes profundamente emocionais.
Isso acontece especialmente no ambiente empresarial.
Uma aquisição pode parecer estratégica.
Um investimento pode ser apresentado como oportunidade.
Uma expansão pode receber justificativas financeiras perfeitamente convincentes.
Mas, por trás da análise, pode existir outra motivação.
A necessidade de provar que consegue.
Superar alguém.
Demonstrar que pertence a determinado ambiente.
Ser reconhecido.
Mostrar independência.
Para Edson Braga, esse é um risco difícil de identificar porque a inteligência pode ser utilizada para construir argumentos sofisticados em defesa de uma decisão cuja origem não é exclusivamente racional.
Convicção e autoengano podem estar muito próximos
Empreendedores precisam acreditar em possibilidades antes que todas as evidências estejam disponíveis.
Essa característica é essencial.
Se toda decisão dependesse de certeza absoluta, muitos negócios jamais seriam iniciados.
Mas existe uma fronteira delicada.
Visão pode se aproximar de ilusão.
Convicção pode virar obsessão.
Persistência pode se transformar em incapacidade de parar.
Coragem pode perder contato com prudência.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma das maiores responsabilidades de quem empreende é aprender a reconhecer o momento em que suas melhores características começam a trabalhar contra si.
Não basta conhecer as próprias forças.
É necessário conhecer também seus excessos.
Antes de perguntar quanto pode ganhar, é preciso saber quanto pode perder
Ao avaliar uma oportunidade, é natural perguntar sobre potencial.
Quanto pode crescer?
Qual é o retorno?
Qual é o tamanho do mercado?
Quanto o negócio pode valer?
Edson Braga considera importante acrescentar outra pergunta:
“Se eu estiver errado, o que acontece comigo?”
Essa avaliação não representa pessimismo.
Representa preservação da capacidade de continuar escolhendo.
Existem perdas que custam dinheiro.
Outras consomem anos.
Algumas atingem reputação.
Relacionamentos podem ser comprometidos.
Mas talvez o maior risco esteja em uma decisão que retire de alguém a capacidade de continuar participando do jogo.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma estratégia responsável não deveria colocar todo o futuro na obrigação de uma única previsão estar correta.
Convicção não exige apostar tudo
Uma pessoa pode acreditar profundamente em determinada tese e ainda preservar margem de segurança.
Pode ser ambiciosa sem colocar toda sua sobrevivência em risco.
Pode assumir riscos sem precisar ignorar cenários negativos.
Essa combinação talvez represente uma forma mais madura de coragem.
Segundo Edson Braga, acreditar muito não deveria significar acreditar cegamente.
A consciência de que podemos estar errados não diminui a convicção.
Pode tornar a decisão melhor.
Existe um risco que não aparece no valuation
Empresas conseguem avaliar diversos riscos.
Financeiros.
Operacionais.
Jurídicos.
Estratégicos.
Mercadológicos.
Mas Edson José Bandeira Braga Filho destaca um risco mais difícil de colocar em planilhas: o emocional.
Nenhuma due diligence consegue identificar perfeitamente quando uma oportunidade está sendo utilizada para alimentar ego.
Nenhum valuation mede a necessidade de reconhecimento de quem toma a decisão.
É por isso que determinadas operações aparentemente empresariais podem carregar motivações pessoais.
O negócio precisa acontecer porque alguém precisa demonstrar algo.
A empresa precisa crescer porque seu fundador precisa sentir-se maior.
A aquisição precisa ser concluída porque desistir seria percebido como derrota.
Nesse contexto, o problema talvez não esteja na tese.
Pode estar na necessidade emocional de encontrar uma tese que justifique a decisão.
O sucessor também enfrenta a necessidade de provar
A reflexão de Edson Braga aborda ainda uma situação frequente em empresas familiares e trajetórias de sucessão.
Algumas pessoas começam com vantagens reais.
Um sobrenome reconhecido.
Patrimônio.
Uma empresa estruturada.
Relacionamentos.
Conhecimento acumulado pela geração anterior.
Acesso a oportunidades.
Receber tudo isso pode representar um privilégio.
Mas também pode produzir uma pergunta difícil:
“Quanto disso é realmente meu?”
Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, alguns sucessores passam então a sentir uma forte necessidade de construir algo que carregue sua própria identidade.
Essa busca pode ser saudável.
O risco aparece quando encontrar o próprio caminho parece exigir diminuir aquilo que veio antes.
Não é necessário destruir o que recebemos para construir algo próprio
Um filho não precisa superar o pai para se tornar um grande homem.
Um sucessor não precisa rejeitar completamente o fundador para desenvolver visão própria.
Uma geração não precisa desrespeitar a anterior para demonstrar independência.
Para Edson Braga, uma forma mais madura de sucessão pode ser resumida de outra maneira:
Receber sem se acomodar.
Honrar sem simplesmente imitar.
Aprender sem obedecer cegamente.
Continuar sem repetir tudo.
Construir algo próprio sem precisar destruir aquilo que foi recebido.
Nesse sentido, independência deixa de ser ruptura obrigatória e passa a significar consciência.
Crescer e evoluir não são a mesma coisa
O ambiente empresarial costuma utilizar uma linguagem centrada no “mais”.
Mais faturamento.
Mais unidades.
Mais mercados.
Mais funcionários.
Mais patrimônio.
Mais negócios.
Essa lógica pode ser importante durante determinadas fases.
Mas Edson José Bandeira Braga Filho considera que chega um momento em que outra pergunta precisa aparecer:
“Mais para quê?”
Uma empresa pode aumentar de tamanho e perder qualidade.
Um patrimônio pode crescer e produzir conflitos familiares.
Mais influência pode significar menos liberdade.
Mais negócios podem resultar em menos tempo para aquilo que realmente importa.
Por isso, crescimento e grandeza não deveriam ser tratados como sinônimos.
Crescimento está relacionado à quantidade.
Grandeza depende também de direção.
A pergunta muda com a maturidade
No início da trajetória empresarial, a pergunta costuma ser:
“Consigo fazer isso?”
Existe capacidade?
Capital?
Mercado?
Coragem?
Depois de muitos anos, para Edson Braga, surge uma pergunta diferente:
“Vale a pena fazer isso?”
A diferença é profunda.
Já não se trata apenas de capacidade.
Trata-se de escolha.
Uma pessoa pode conseguir comprar determinada empresa e decidir que não deseja comprá-la.
Pode ter recursos para entrar em um projeto e concluir que não vale seu tempo.
Pode possuir condições de crescer e entender que aquele crescimento específico não representa aquilo que deseja para sua vida.
A capacidade de dizer não também é riqueza
No começo da carreira, oportunidades parecem escassas.
Quem empreende busca portas.
Tenta participar.
Constrói relações.
Procura espaço.
Com o tempo, as oportunidades podem aumentar.
É justamente nesse momento que uma nova forma de liberdade aparece.
A capacidade de recusar.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, liberdade não significa simplesmente poder fazer tudo.
Pode significar não precisar fazer tudo.
Dizer não a uma oportunidade porque ela não corresponde aos objetivos atuais.
Recusar um negócio mesmo tendo dinheiro para realizá-lo.
Não participar de uma disputa apenas porque ela está disponível.
Abandonar uma estratégia mesmo depois de ter investido nela.
Renunciar também pode ser demonstração de força
Durante muito tempo, sucesso costuma ser medido pela capacidade de adquirir.
Mais tarde, ele pode ser percebido também pela capacidade de renunciar.
Ter dinheiro para comprar e serenidade para não comprar.
Possuir coragem para entrar e consciência para ficar de fora.
Ter força para continuar e lucidez para parar.
Manter ambição sem sentir obrigação de crescer em todas as direções.
Para Edson Braga, talvez essa seja uma das expressões mais sofisticadas de prosperidade.
Existe uma plateia invisível por trás de muitas decisões
Enquanto alguém precisa provar alguma coisa, suas escolhas frequentemente possuem espectadores imaginários.
O pai.
Um antigo concorrente.
Quem duvidou.
Quem rejeitou.
Quem conseguiu primeiro.
O mercado.
A família.
Algumas dessas pessoas talvez nem estejam mais presentes.
Ainda assim, permanecem influenciando escolhas.
Edson José Bandeira Braga Filho considera que amadurecer pode significar esvaziar gradualmente essa plateia.
Chegar ao ponto em que uma decisão já não precisa produzir aplausos.
Não precisa impressionar.
Não precisa responder a ninguém.
Não precisa derrotar outra pessoa.
Precisa apenas fazer sentido.
De uma vida que prova para uma vida que representa
Para Edson Braga, existe uma transformação importante quando a necessidade de demonstrar diminui.
A pessoa deixa de construir apenas uma vida destinada a provar algo.
Passa a construir uma vida que representa aquilo em que acredita.
Seus valores.
Suas prioridades.
Sua consciência.
Aquilo que realmente merece seu tempo.
Nesse estágio, ser menor não significa necessariamente ser menos.
Recusar uma oportunidade não parece fracasso.
Parar deixa de ser automaticamente associado à fraqueza.
E crescer deixa de funcionar como obrigação permanente.
Nem toda batalha merece nossa presença
A experiência também modifica a relação com conflitos e oportunidades.
Nem tudo aquilo que podemos fazer merece ser feito.
Nem tudo aquilo que podemos comprar precisa ser comprado.
Nem todas as discussões precisam ser vencidas.
Nem todas as oportunidades merecem energia.
Nem todas as competições precisam de participação.
Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, talvez o tamanho de uma pessoa não possa ser medido apenas pelas batalhas que teve coragem de enfrentar.
Também pode ser percebido pelas batalhas que teve sabedoria suficiente para não travar.
O empresário maduro também é definido pelos negócios que não fez
O mesmo princípio vale para o empreendedorismo.
Uma trajetória é normalmente contada a partir dos negócios realizados.
Empresas construídas.
Investimentos.
Aquisições.
Expansões.
Mas Edson Braga considera que existe outra parte igualmente importante da história.
Os negócios recusados.
As propostas que pareciam boas, mas não correspondiam aos princípios ou ao momento.
Os riscos que alguém decidiu não correr.
As oportunidades das quais se afastou depois de perceber que sua motivação estava no lugar errado.
Experiência ensina quando sair.
Mas talvez sabedoria ensine algo anterior:
quando nem sequer precisamos entrar.
O sucesso de não precisar provar mais nada
Para Edson José Bandeira Braga Filho, existe uma fase em que sucesso significa conseguir.
Depois, talvez passe a significar escolher.
E pode chegar um momento ainda mais raro em que sucesso significa não precisar provar.
Não precisar demonstrar permanentemente força.
Não precisar aceitar todas as oportunidades.
Não precisar crescer apenas porque existe capacidade para crescer.
Não precisar entrar em uma disputa para confirmar o próprio valor.
É nesse momento que decisões podem se tornar mais livres.
O empresário continua ambicioso.
Continua construindo.
Continua identificando oportunidades.
Mas suas escolhas deixam de ser comandadas por uma plateia invisível e passam a responder com maior clareza àquilo que realmente pretende construir.
Talvez maturidade seja exatamente isso:
continuar possuindo coragem para entrar, experiência para sair e sabedoria suficiente para perceber quando não existe razão alguma para participar.
